Atualidade

Um prêmio franciscano ao rei Abdallah da Jordânia


 Terrasanta.net |  15 de Março de 2019

Rei Abdallah da Jordânia. (foto Flash90)

No dia 29 de março, os Frades Menores Conventuais de Assis entregarão a Lâmpada de São Francisco ao soberano hashemita, em reconhecimento à sua ação pela paz e pela harmonia.


(c.l.) - No oitavo centenário da visita de São Francisco ao sultão Al-Malik al-Kamil - ocorrida em Damietta (Egito) em 1219 -, a atribuição de um prêmio pela paz da parte dos franciscanos do Sagrado Convento de Assis a um governante muçulmano é certamente um belo símbolo. De fato, a edição de 2019 do reconhecimento Lâmpada da paz de São Francisco vai para o rei Abdallah II da Jordânia.

Instituido em 1981, o prêmio foi concedido a personalidades políticas e religiosas. Entre outros, foram atribuídos a São João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, Yasser Arafat, Bento XVI, Shimon Peres, Mahmoud Abbas, Papa Francisco.

O prêmio será entregue no próximo dia 29 de março em Assis ao soberano da Jordânia (que será acompanhado por sua esposa, a rainha Rania) "por sua ação e seu compromisso em promover os direitos humanos, a harmonia entre as diferentes crenças e a acolhida de refugiados", como indicado nos fundamentos. Não se deve esquecer que a Jordânia, considerada um dos poucos oásis de relativa estabilidade na região do Oriente Médio, abriga cerca de 1,3 milhão de refugiados, a maioria iraquianos e sírios. "A atribuição da Lâmpada da Paz - disse Fayiz Khour, embaixador jordaniano na Itália - é um atestado aos esforços da Jordânia, liderados por Sua Majestade o Rei Abdallah II para a promoção da paz e da harmonia entre as diferentes religiões em todo o mundo. Os valores que este prêmio promove são valores de extrema necessidade ao nosso mundo para contrastar com a disseminação de ideologias obscuras".

Um compromisso constante

Os esforços da Jordânia para o diálogo inter-religioso e a paz foram numerosos desde a ascensão ao trono de Abdallah II em fevereiro de 1999. Para citar o que talvez seja o mais significativo, o soberano esteve na origem da Mensagem de Amã (2004), um texto dirigido a todo o mundo que procura esclarecer a verdadeira natureza do Islã, opondo-se ao extremismo e convidando todas as nações muçulmanas a se unirem na promoção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais da pessoa.

Em outubro de 2007, o Príncipe Ghazi, primo e conselheiro para assuntos religiosos do rei Abdallah, junto com outras 137 personalidades do mundo islâmico, enviou uma carta ao Papa e às mais altas autoridades religiosas cristãs da Terra, intitulada: Uma palavra comum entre nós e vós. Postula que o cristianismo e o islamismo compartilhem os mesmos valores do amor de Deus e do amor ao próximo. Em 2008, este último documento inspirou o primeiro Fórum Católico-Muçulmano no Vaticano.

O rei também foi o promotor, junto as Nações Unidas, da Semana Mundial pela Harmonia entre as Fés. Um evento que é realizado há oito anos, em fevereiro, e visa promover a harmonia entre as pessoas, independentemente de suas crenças, enfatizando que a compreensão mútua e o diálogo entre as religiões são dimensões importantes de uma cultura de paz mundial.

Exemplos de um compromisso que já foi amplamente reconhecido em nível internacional: entre outros, o Prêmio do centro Simon Wiesenthal, em favor da Tolerância, em 2005; o Prêmio da Paz da Westphalia, em 2016; o Prêmio Templeton, em 2018.

Também participará da cerimônia de premiação no dia 29 de março a chanceler alemã, Angela Merkel, ganhadora do prêmio no ano passado, e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

No Egito para recordar o encontro de Francisco e o Sultão

«Há oito séculos, Francisco, como observou o Papa, continua sendo uma profecia para  a humanidade». Em Damieta a abertura das comemorações do 8.º centenário.

No Egito, 800 anos depois, no sentido da fraternidade

A carta do Papa Francisco e a visita aos católicos egípcios do seu enviado especial, o Cardeal Sandri, abrem as celebrações em memória do encontro entre São Francisco e o Sultão.

Uma antiga cisterna em Jerusalém, recurso para o turismo?

Uma grande bacia da era bizantina, no subsolo de Jerusalém, poderá em breve se tornar um local aberto a turistas interessados ​​em arqueologia. As autoridades competentes divergem.

Na Jordânia, troca de saudações com o rei

Em nome do diálogo e da harmonia inter-religiosa, as saudações entre o soberano hashemita, o presidente palestino e as autoridades religiosas cristãs de Jerusalém.