Atualidade

No Egito, 800 anos depois, no sentido da fraternidade


 Terrasanta.net |  2 de Março de 2019

O cardeal Leonardo Sandri em visita aos católicos coptas de Luxor

A carta do Papa Francisco e a visita aos católicos egípcios do seu enviado especial, o Cardeal Sandri, abrem as celebrações em memória do encontro entre São Francisco e o Sultão.


O Cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, esteve no Egito como enviado especial do Papa para as celebrações dos 800 anos do encontro entre Francisco e o Sultão Al-Malik al-Kamil, ocorrido em 1219, em Damietta. Portando uma mensagem de paz do Pontífice, que em abril de 2017 estivera em visita ao Egito, o Cardeal, durante alguns dias, visitou eparquias, ou seja, as dioceses dos católicos coptas do Alto Egito - Minya, Assiut, Sohag e Luxor -, encontrando os religiosos e as comunidades. A Igreja Católica Copta é uma das 23 igrejas sui iuris, isto é, igrejas de rito oriental em comunhão com a igreja de Roma. Desde 1895, existe um patriarcado dos coptas católicos em Alexandria, e os fiéis são cerca de 190 mil. Em Luxor, em particular, em 27 de fevereiro, o cardeal participou da cerimônia de assentamento da pedra fundamental da nova catedral, cuja construção se tornou necessária após um incêndio, em 2016, ter devastado a igreja da cidade. Nos muitos encontros com o representante do Papa, os sacerdotes puderam exprimir as dificuldades e sofrimentos da vida cotidiana dos coptas católicos no Egito, que são uma minoria dentro da minoria cristã, composta principalmente de coptas ortodoxos. Eles são afetados pela pobreza econômica, pela falta de comunicação e coordenação, mas também pela distância ainda forte com os ortodoxos. Ainda pesa, por exemplo, a prática do "rebatismo" dos fiéis católicos que se casam ​​com um ortodoxo.

No entendimento dos líderes das Igrejas os encontros ecumênicos desses dias foram extremamente positivos. No Cairo, durante a sua reunião anual (18 a 21 de fevereiro), os bispos latinos dos países de língua árabe encontraram o patriarca copta-ortodoxo Tawadros II, que no dia 26 também recebeu a visita de Frei Francesco Patton. O Custódio da Terra Santa expressou sua solidariedade para com os cristãos do Egito, por todos os sofrimentos vividos. Posteriomente, juntou-se ao Cardeal Sandri e ao Ministro Geral dos Frades Menores, Frei Michael Perry para os três dias de celebrações pelos 800 anos do encontro entre São Francisco e o sultão al-Malik al-Kamil.

As celebrações do centenário aconteceram poucas semanas depois da viagem pontifícia aos Emirados Árabes, quando o Papa Francisco e o grande imã de al-Azhar, al-Tayyib assinaram um documento chave do diálogo inter-religioso centrado na Fraternidade. "O documento é uma atualização esplêndida do encontro de oito séculos atrás - disse Frei Patton à agência Sir -. Já há dois anos, na visita apostólica do Papa Francisco ao Egito, os encontros com o presidente al-Sisi e com o grande imã de al-Azhar foram lidos como uma atualização do encontro entre São Francisco e o Sultão”.

Na sexta-feira, 1° de março, uma peregrinação foi realizada nos locais do encontro, em Damietta, ao norte do Cairo, no delta do Nilo. Aqui o enviado do Papa visitou a casa das freiras do Imaculado Coração de Maria, inaugurando uma capela. A comemoração do encontro de 800 anos atrás ocorreu na presença da governadora local, a Senhora Manal Awad Mikhail, uma cristã copta. No documento escrito por Francisco para a ocasião, o Papa "espera que ninguém sucumba à tentação da violência, acima de tudo "sob qualquer pretexto religioso", mas que "se realizem projetos de diálogo, reconciliação e cooperação "que" conduzam os homens à comunhão fraterna", difundindo a paz e o bem conforme as palavras do profeta Isaías: "Um povo não mais erguerá a espada contra outro povo, não mais praticará a arte da guerra".

Sábado, 2 de março, a Universidade de al-Azhar, importante instituição do islamismo sunita, recebeu uma conferência sobre o tema "Um diálogo de paz e serenidade", organizado em conjunto com os franciscanos do Egito. Domingo, 3 de março, uma celebração solene no rito latino foi celebrada na igreja de São José no Cairo. Na segunda-feira, dia 4, com um encontro entre os bispos católicos do Egito de todos os ritos, encerrou-se a visita do cardeal Sandri.

Oito séculos depois, São Francisco, como observa o Papa em sua carta, continua sendo uma profecia para toda a humanidade: aquele que se desarmou durante o tempo das Cruzadas, sustentando apenas o Evangelho entre os inimigos dos cristãos da época. (f.p.)

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