Atualidade

Na Jordânia, troca de saudações com o rei


de Christophe Lafontaine |  28 de Dezembro de 2018

No centro, o rei da Jordânia, durante a cerimônia de Natal organizada em Amã, em 18 de dezembro de 2018. (foto abouna.org)

Em nome do diálogo e da harmonia inter-religiosa, as saudações entre o soberano hashemita, o presidente palestino e as autoridades religiosas cristãs de Jerusalém.


Um Natal para todos. Porque "somos uma só família", observou em 18 de dezembro, Mons. Pierbattista Pizzaballa, o Administrador Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém. É neste espírito de irmandade que Abdallah II da Jordânia, acompanhado pelo seu filho mais velho e príncipe herdeiro Hussein, participou de uma cerimónia que reuniu mais de 500 pessoas no centro cultural Rei Hussein em Amã. Organizada durante dois dias pelas Igrejas cristãs da Jordânia, por ocasião das festividades Natalinas e do Ano Novo, a celebração teve como tema o slogan Jordânia, terra da amizade, terra da fé.

Se o Islã é uma religião de Estado na Jordânia, foi perante os líderes cristãos da Terra Santa que o soberano expressou seus melhores desejos para as festividades deste Natal aos jordanianos, palestinos e a todos os árabes cristãos. Lembremo-nos que em 1999, desejando preservar o tecido social do Reino, que conta com cerca de 6% de cristãos, o jovem rei, subindo ao trono, declarou que o Natal era para todos, muçulmanos e cristãos. No país, os bancos fecham no Natal e os trabalhadores cristãos recebem o dia livre.

Em sinal de unidade entre as duas margens do rio Jordão, o presidente palestino Mahmoud Abbas (Abu Mazen) e representantes do Waqf de Jerusalém, a fundação islâmica que administra a Esplanada da Mesquita, sob a supervisão jordaniana, também participaram deste evento.

Os cantos natalinos do coro católico jordaniano La Fontaine d'Amourintercalaram os discursos oficiais que, de acordo com um comunicado do Palácio Real, enfatizaram que "o Natal é uma ocasião para celebrar a paz e o amor e para promover a importância do viver em harmonia ».

Um aspecto, o da harmonia, ao qual se afeiçoa muito o rei da Jordânia, cuja família alega descender de Hashim, o bisavô do profeta Maomé. Na direção de um pequeno reino em meio a grandes conflitos regionais, Abdallah II não se poupou para continuar a render ao seu Reino como "uma pedra angular da estabilidade da região", mantendo um clima favorável ao respeito mútuo entre as diferentes religiões, como ele, também reconheceu Mons. Pizzaballa.

Não é coincidência que o trabalho do soberano da Jordânia para promover um islamismo pacífico e moderado na região e acabar com a violência religiosa no Oriente Médio foi reconhecido, em novembro, com o Prêmio Templeton de 2018, conferido ao rei por suas ações para o entendimento inter-religioso. A Fundação John Templeton enfatiza que Abdallah II "fez mais do que outros líderes políticos pela harmonia no Islã e entre o Islã e outras religiões". Deve-se notar que o monarca decidiu dedicar uma parte do valor ligado ao prêmio (que equivale a cerca de um milhão e meio de euros) para a restauração da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.

O reconhecimento conferido ao rei foi calorosamente elogiado pelos dois maiores representantes das Igrejas cristãs na Terra Santa: o patriarca ortodoxo grego Teófilo III, cuja intervenção foi lida pelo Arcebispo de Amã e pelo Administrador Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém. Monsenhor Pizzaballa. Este último não hesitou em sublinhar "a beleza da convivência religiosa e os diálogos frutíferos que aproximam cada vez mais todas as comunidades" na Jordânia, referindo-se também ao espírito da Mensagem de Amã, elaborada em 2004 para tentar esclarecer a verdadeira natureza do Islã e convidar todas as nações muçulmanas para promover os direitos humanos e as liberdades fundamentais.

Se o tempo do Natal é favorável para as boas saudações e os desejos, e os olhos, naturalmente, se voltam para Belém, é em Jerusalém que o pensamento de todos está. O Administrador Apostólico da Igreja Católica Latina de Jerusalém e o Patriarca grego ortodoxo, Teófilo III, não esconderam suas preocupações sobre os cristãos de Jerusalém e as tentativas israelenses que poderiam ameaçar o futuro da propriedade da igreja sobre o âmbito fiscal e dos direitos de propriedade. "Infelizmente - lamentou o Arcebispo Pizzaballa - nos últimos meses, tivemos que fazer nossa voz ser ouvida em várias ocasiões para garantir a liberdade e o respeito de nossas instituições, e por vezes recorrer a iniciativas extremas, como o fechamento do Santo sepulcro. "Uma opinião compartilhada pela igreja ortodoxa grega, que menciona o sofrimento de uma comunidade que está enfrentando atos de vandalismo perpetrados por extremistas judeus contra as igrejas: seriam cerca de cinquenta locais de culto "queimados ou destruídos" desde 1967. O patriarca grego ortodoxo também advertiu contra os "perigos decorrentes dos ensinamentos e as posições heréticas de alguns grupos que falam em nome do cristianismo". Na mira, os grupos evangélicos que "adotam crenças e ensinamentos que não poderiam estar mais longe de Cristo e de seus ensinamentos" e que, de acordo com o patriarca, falsificam a história.

Por todas essas razões, os dois líderes cristãos incentivaram o rei a levar as vozes de cristãos e dos muçulmanos aos fóruns internacionais. O motivo condutor é a preservação do "equilíbrio frágil da cidade santa" em nome da justiça e da verdade ", disse Mons. Pizzaballa.

Teófilos III mais uma vez defendeu a solução de dois Estados, israelense e palestino, com Jerusalém Oriental como capital palestina. Para ele, não há alternativa ao risco de haver "mais conflitos religiosos, extremismos e agressões contra os direitos dos outros". Ele também convidou todas as Igrejas do mundo para apoiar a Custódia Hachemita "do Santo Sepulcro, dos lugares santos e de nossas igrejas históricas na Terra Santa". É o mesmo tratado de paz de 1994 entre Israel e a Jordânia que reconhece a esta última o papel de guardiã dos lugares sagrados cristãos e muçulmanos em Jerusalém.

O Sheikh Abdul Azim Salhab, chefe do conselho supremo da Waqf em Jerusalém, depois de apresentar "[seus] mais calorosos votos a todos os nossos irmãos e irmãs cristãos", saudou os esforços internacionais do rei Abdallah, chamando a Jordânia de "uma forte linha de defesa para Jerusalém e seus lugares sagrados", incluindo a Igreja do Santo Sepulcro.

Ampliando o discurso sobre a instabilidade política regional e as conseqüências diplomáticas, econômicas e sociais na Jordânia, que acolheram 1,5 milhão de refugiados sírios e iraquianos, Mons. Pizzaballa reiterou ao rei e ao público que é "cada vez mais necessário que trabalhemos juntos para que o equilíbrio social e religioso de nossa sociedade seja sempre estável e sólido".

(tradução: Daniel Gonçalves de Oliveira)

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